Coincidindo com o VIII centenário do nascimento de Afonso X, a Fundação Três Culturas do Mediterrâneo quer prestar-lhe homenagem ao Rei Sábio através da participação no programa de atividades desenhado por diferentes instituições públicas e privadas em torno do monarca por ocasião desta efeméride.
Para tal efeito, as Três Culturas prepararam um ciclo de palestras no âmbito do projeto Cátedra al-Andalus, bem como a reedição de um livro, com o objetivo de dar a conhecer diversos aspetos do reinado e da obra de uma das figuras mais importantes da nossa história.
A segunda sessão do ciclo de palestras, com o título de Muçulmanos e judeus na obra cultural e política de Afonso X, será realizada na terça-feira, 14 de dezembro, às 19h00. A conferência será ministrada por Francisco García Fitz, catedrático de História Medieval da Universidade de Extremadura.
As relações entre cristãos, judeus e muçulmanos – apesar de terem sido caracterizadas ao longo de séculos pela sua natureza flutuante e contraditória, nunca sendo fáceis – tornaram-se particularmente complexas durante o reinado de Afonso X. O Rei Sábio realizou um trabalho transcendental em áreas como o fomento da tradução de obras árabes de astronomia, astrologia, matemática, filosofia, literatura, religião ou história. Noutras áreas, como a do ensino, Afonso X ordenou a construção de um ensino superior em Múrcia onde eram ministradas aulas de lógica, engenharia, matemática, música ou filosofia sob a direção do filósofo Abu Bakr Muhammad ibn Ahmad al-Riquti. Estes factos contribuíram para que o monarca tenha passado à história como o soberano «das Três Religiões» pela sua percebida atitude transigente para com as minorias muçulmana e judaica.
O professor Francisco García Fitz questiona a validade absoluta desta premissa, ao considerar que « (…) tanto as conclusões gerais sobre a convivência das três comunidades durante o reinado de Afonso X, como algumas apreciações ou interpretações referidas especificamente às relações interculturais estão impregnadas de uma boa dose de otimismo que nem sempre encontra respaldo na realidade histórica». Qual a medida do pragmatismo de Estado ou do genuíno interesse pelos seguidores das outras duas grandes religiões monoteístas na labor cultural de Afonso X? É possível falar de um período de especial convivência entre confissões? E, em tal caso, ao empregar conceitos como multiconfessionalidade ou convivência entre religiões, estaria a incorrer-se num anacronismo histórico?
Para assistir presencialmente, é necessário reservar o convite previamente. NESTE LINK



