A Fundação Tres Culturas del Mediterráneo, a Mercacórdoba (Mercados Centrais de Abastecimento de Córdova), a CIMBAL (Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo) e a NERBE/AEBAL (Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral) lançaram o projeto ‘Mercado Halal: resiliência dos mercados face às novas tendências do turismo’, um projeto enquadrado no programa de cooperação INTERREG VA Espanha-Portugal (POCTEP 2014-2020).

Esta iniciativa, liderada por Tres Culturas, tem por objetivo gerar vantagens competitivas para os produtos e serviços de diferentes empresas da Andaluzia, Algarve e Alentejo, através da sua adaptação aos critérios definidos como ‘Muslim friendly’, favorecendo a atratividade das nossas ofertas de hotelaria e o aumento das exportações. Este tipo de ações é particularmente oportuno em momentos como este, uma vez que as consequências da pandemia da COVID-19 tornam muito necessário encontrar novos nichos de mercado para o turismo, a hotelaria e a indústria alimentar.

Os parceiros do projeto já realizaram diversas reuniões (anexa-se uma fotografia de uma delas, realizada de forma virtual há alguns dias) e já definiram vários dos passos iniciais deste projeto, como a criação de uma imagem comum ou a preparação de um encontro de lançamento após o verão em Sevilha.

Além do referido encontro, o projeto prevê inúmeras ações tanto na Andaluzia como no Algarve e no Alentejo até ao final de 2022, entre as quais se destacam fóruns empresariais, micro-rotas turísticas para conhecer e valorizar PME em todo o território de ação do programa, e o desenvolvimento de uma plataforma que potencie a venda de produtos online e o desenvolvimento de serviços empresariais halal, entre outras atividades. 

Com estas propostas, pretende-se alcançar três objetivos específicos: a adequação da oferta nos setores estratégicos do turismo, do comércio, do artesanato, dos serviços e da hotelaria ao mercado halal; o favorecimento da adaptação dos produtos e serviços com potencial exportador e que gerem novos postos de trabalho; e o fortalecimento de mecanismos de cooperação empresarial e entidades públicas dirigidas a PME e micro-PME como meio de promoção económica sustentável.

Também se dará especial ênfase a chegar a um novo setor de procura no mercado halal, configurado em torno dos turistas muçulmanos milennials (TMMs) que, nos termos do relatório anual Índice Global de Turismo Muçulmano Mastercard-CrescentRating, constituem uma força motriz da indústria halal.

Quatro instituições dedicadas ao projeto

O projeto Mercado Halal junta a experiência de quatro instituições, cujos máximos responsáveis ressaltam a importância deste tipo de iniciativas. Assim, José Manuel Cervera, diretor da Fundação Três Culturas, remarcou que “com este projeto, que reativaremos presencialmente logo após a abertura das fronteiras entre Espanha e Portugal, a nossa fundação reforça o seu trabalho de cooperação Andaluzia-Algarve-Alentejo. E fá-lo num setor estratégico para as três regiões, como é o turismo e também as exportações. Uma cooperação protagonizada com agentes locais e com organizações empresariais, uma vez que o objetivo precisamente é o desenvolvimento local explorando de forma inovadora os recursos endógenos. Por outro lado, este projeto permitirá evidenciar, mais uma vez, o papel da cultura ao serviço da criação de riqueza e emprego e do fortalecimento e modernização do nosso tecido produtivo”.

Por seu lado, Antonio Álvarez, presidente do Conselho de Administração da Mercacórdoba, destaca que “o mercado halal é uma excelente oportunidade para as empresas produtoras, turísticas e comerciais das nossas regiões, sendo um mercado com o qual estamos especialmente enraizados pela nossa história e pela nossa cultura. Nesse sentido, o nosso projeto facilita às PME e micro-PME o cumprimento dos padrões de qualidade e respeito pela diversidade que um produto ou serviço halal representa”.

Filipe Pombeiro, presidente da NERBE/AEBAL (Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral), considera que “se antes da pandemia da COVID-19 já éramos conscientes da importância de sensibilizar as PME para o cumprimento dos padrões exigidos para os produtos e serviços halal para o desenvolvimento turístico destes territórios, depois de ser decretada a pandemia e com todas as restrições que esta implicou no âmbito da circulação, do distanciamento e da higiene, esta consciência tornou-se ainda mais urgente e necessária. Com a retoma da atividade económica, que ocorrerá de forma mais lenta do que o desejável, é absolutamente importante atrair novos turistas e visitantes para as nossas regiões, tendo em conta além disso que o mercado muçulmano se apresenta como uma excelente oportunidade. Acreditamos também que o conjunto de parceiros reunidos para este projeto representará um valor acrescentado para o apoio e o desenvolvimento empresarial necessários para dar resposta às necessidades atuais”.

Para concluir, Jorge Rosa, presidente da Cimbal (Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo), considera que este projeto conjunto Mercado Halal “é uma iniciativa muito importante, particularmente no momento em que vivemos, quando todas as atividades culturais, comerciais e até sociais estão muito condicionadas. Será necessário reinventar e implementar dinâmicas renovadas para retomar a economia e a cultura. Assumimos parte desta responsabilidade, criando mecanismos que apoiem, apoiados pela história e pela cultura, a economia local e regional, impulsionando as exportações e as relações externas. É algo que pode fazer a diferença para muitas micro e pequenas empresas no nosso território, ou seja, aquelas ligadas ao turismo. Esta é a génese do nosso trabalho municipal e intermunicipal, trabalhando numa sociedade alargada, melhorando os benefícios no nosso território”.