A cinematografia marroquina mais atual está a tornar-se uma referência a que recorrer se se quiser ter uma visão das mudanças que estão a ocorrer em Marrocos, especialmente a nível social. Na última década, emergiu uma nova geração de cineastas que tem uma abordagem diferente quanto ao papel do cinema no contexto de uma sociedade que enfrenta desafios complicados e em que persistem problemas como a corrupção, a falta de oportunidades, a marginalidade ou o aumento do fundamentalismo religioso.
No contexto da Semana Cultural de Marrocos teremos a oportunidade de aproximar-nos desse cinema com o filme Casablanca, que serve como exemplo desta nova vaga de cinema marroquino que não teme enfrentar tabus como a prostituição ou a realidade encapotada da criminalidade. E tudo isto a partir da qualidade artística e do reconhecimento validado tanto em festivais internacionais como a nível interno em Marrocos.
Após a projeção de Casablanca, será aberto um debate com o seu diretor, Noureddine Lakhmari, e com Larbi El Harti, escritor, ativista cultural e diretor da APAIUC (Association pour l'Action Interculturelle Universitaire Citoyenne). Com este evento, terá também início o ciclo de outubro das Terças de Cinema, onde serão exibidos mais quatro filmes marroquinos.
Entrada gratuita até encher a sala.
Sobre Casablanca
Noureddine Lakhmari (Marrocos, 2008, 130 minutos)
Sinopse. Adil e Karim, dois amigos de infância, procuram a vida com pequenos roubos e burlas, a única maneira que têm para sobreviver à Casablanca dos pobres, à da falta de oportunidades, que rebaptizaram como ‘Casanegra’ e da qual querem fugir para emigrar para a Suécia. A realidade cruza-se no seu caminho com a proposta de Zrirek, um criminoso que os seduz para participarem num golpe que aparentemente lhes trará muito mais do que eles possam imaginar.
Sobre Noureddine Lakhmari
Noureddine Lakhmari iniciou a sua carreira cinematográfica na Noruega, onde se estabeleceu em meados dos anos 80. As suas curtas-metragens (com personagens excluídos e solitários, à margem da sociedade) valeram-lhe alguns prémios e a entrada na Academia de Cinema da Noruega.
De volta a Casablanca, a sua longa-metragem de estreia, O olhar (2005), seduziu a crítica. Após a sua passagem pela televisão como realizador da série policial El Kadia, regressou ao cinema com Casablanca (2008), um bem-sucedido filme noir que foi selecionado para representar Marrocos nos Óscares. No seu terceiro longa-metragem, Zero (2012), retomou o tema da lei, da delinquência e dos excluídos da sociedade no contexto do Marrocos contemporâneo. Atualmente prepara a rodagem de Ela regresso.
Sobre Larbi El Harti
Larbi El Harti é professor de literatura espanhola na Universidade de Rabat e presidente do APAIUC (Centro de Ação Intercultural Universitária Cidadã). É um escritor reconhecido e premiado (o seu livro de contos Depois de Tânger obteve o Prémio Sial em 2003), além de tradutor literário (Cunqueiro, Goytisolo, etc.).
Ativista cultural especializado em diálogo intercultural e na promoção dos direitos humanos, dirigiu vários festivais, ciclos de cinema, encontros, seminários e residências artísticas marroquinas e hispano-marroquinas.
