A Fundação Três Culturas organiza a próxima sessão da Cátedra al-Andalus para o mês de outubro, e nesta ocasião oferecemos um panorama geral do mercado andalusí, com especial ênfase nos “tratados de hisba árabes.
O referido ato terá lugar na quinta-feira, dia 30 de outubro, pelas 19:00 horas, na sede da Fundação, com a conferência O souk em al-Andalus: os tratados de hisba, a cargo de María Crego Gómez, doutora em Filologia Árabe pela Universidade de Granada.
Por um lado, esta sessão pretende oferecer um panorama geral do mercado andaluz, recordando a sua condição de instituição nitidamente urbana e o seu papel na articulação e administração da vida da cidade. E, por outro lado, não pode realizar-se uma abordagem ao mercado medieval no âmbito islâmico sem atender aos denominados “tratados de hisba” árabes, obras de consulta para todos aqueles que desempenhem o cargo de almotacém ou zabazoc, encarregado de zelar pelo comportamento moral de “as gentes do zoco, o controlo de pesos e medidas e a vigilância de fraudes e enganos.
Na análise dos “tratados de Hisba”temos de distinguir pelo menos duas etapas distintas. Numa primeira fase, estas obras são elaboradas para uma sociedade, a andaluza, que ainda está num processo de islamização. Os almotacenes procuram então na jurisprudência as referências legais para o desenvolvimento do seu trabalho, de modo que é interessante estudar a vinculação da isbah, que não é uma disciplina jurídica, com o direito islâmico.
Numa segunda fase, a hisba passa a assumir-se como uma disciplina puramente jurídica no âmbito do islão. Os almotacenes serão faquires e será exigida deles uma especialização e conhecimentos jurídicos no âmbito de uma sociedade maioritariamente muçulmana.
Ao longo da conferência será feito um percurso pelos principais “tratados de hisba” andaluzes conservados (sécs. IX-XIII) correspondentes a estas duas fases, obras que constituem autênticos tesouros ao fornecer dados muito valiosos, não só sobre o mercado em al-Andalus, mas também sobre a sociedade andaluza num sentido muito mais amplo: instituições, minorias religiosas, costumes, etc.
María Crego Gómez. Doutora em Filologia Árabe pela Universidade de Granada (2003) e Especialista em Tradução Árabe-Espanhol pela Escola de Tradutores de Toledo (2007), as suas principais áreas de estudo são a História e Historiografia de al-Andalus. Trabalha com fontes árabes medievais e publicou estudos sobre crónicas históricas, ulemas ou sábios andaluzes, bem como sobre a influência dos intelectuais muçulmanos andaluzes na cultura castelhana.
Realizou a sua Tese de Doutoramento na Escola de Estudos Árabes de Granada (CSIC) sobre o Muqtabis, crónica árabe do séc. XI, chave para a análise da historiografia medieval, realizando posteriormente uma estadia pós-doutoral na École Normale Supérieure Lettres et Sciences Humaines de Lyon com um projeto sobre a influência da historiografia árabe nas crónicas castelhanas. É desde o ano de 2007 professora da Universidad Pablo de Olavide de Sevilha no Grau de Tradução.

