O ciclo de conferências ‘Mediterrâneo Sonoro: Músicas do Magrebe e Médio Oriente’, retoma a sua missão de colocar o foco nas músicas da margem sul do Mediterrâneo, especificamente na árabe, para devolvê-la a um lugar mais preeminente e assim aproximar a cultura em que é produzida ao nosso público.
Nesta segunda sessão, que voltará a adotar um formato dinâmico de conferência ilustrada (em que se vão sucedendo intervalos musicais a jeito de amostra do tema que está a ser argumentado), o especialista José Carlos Cabrera deslindará as claves da música clássica árabe, uma grande desconhecida no Ocidente.
Com raízes que remontam à Idade Média, foram teóricos como o iraquiano Al-Kindi (801-873) e o cazaque Al-Farabi (872-950) que lançaram as bases da teoria musical árabe. Foi na nossa terra, no entanto, que durante a Idade de Ouro de Al-Andalus a música floresceu nas cortes de Córdova, Toledo, Granada ou Sevilha, chegando a atrair reis cristãos como Afonso X em Espanha — e Frederico II na Sicília islâmica.
Séculos mais tarde, influenciou a música ocidental através de autores como Saint-Saëns e, após o Congresso de Música Árabe de 1932, foi no Egito (país pioneiro do nacionalismo musical árabe) que encontrou um centro de inovação. Ali destacaram-se compositores como Sayed Darwish ou Mohammed Abdelwahab, cujas obras - interpretadas por lendas como Abdel Halim Hafez ou Umm Kulsum - entraram já no cânone da música árabe contemporânea.
José Carlos Cabrera Medina, arabista e diretor da revista radiofónica intercultural ‘Ruta Mediterránea’ da Radio Andalucía Información, explicar-nos-á e ilustrará estas questões no próximo dia 3 de abril, quinta-feira, a partir das 19h, na sede da Fundação Três Culturas.

