Início 5 Evento 5 A Fundação Três Culturas do Mediterrâneo retoma a sua colaboração com o Festival de Cinema Europeu de Sevilha

A Fundação Três Culturas do Mediterrâneo retoma a sua colaboração com o Festival de Cinema Europeu de Sevilha

Detalhes

  • Início: 4 de novembro de 2014
  • Fim: 16 de novembro de 2014

Esta colaboração tem como objetivo mostrar os trabalhos recentes de realizadores do Médio Oriente e do Norte de África e europeus originários desta região.

As projeções no âmbito do Festival de Cinema Europeu de Sevilha corresponderão aos filmes Feijão Sangrento, da realizadora franco-argelina Narimane Mari; Água Prateada, Autorretrato da Síria, dos sírios Ossama Mohammed e Wiam Simav Bedirxan; e A Educadora de Infância, do israelita Nadav Lapid. Estas produções participarão em diferentes secções e serão acompanhadas por um debate com os realizadores.

Além disso, coincidindo com esta edição do festival, a Tres Culturas dedicará o programa de ‘Terças de cinema’ do mês de novembro a realizadores europeus do Médio Oriente e do norte de África, mostrando uma tendência em alta nos últimos anos que combina um número crescente de criadores originários desta região nascidos na Europa ou exilados lá e a crescente participação europeia, especialmente francesa, no financiamento destas produções.

Apesar de se tratar de uma produção prolífica e de qualidade, estes filmes continuam a encontrar dificuldades para ser distribuídos nas salas de cinema europeias, sendo projetados, na melhor das hipóteses, apenas em alguns festivais especializados. É um prazer poder oferecer uma amostra representativa deste tipo de cinema, propósito que partilhamos com o Festival de Cinema Europeu de Sevilha.

Filmes no âmbito do ciclo ‘Terças de Cinema’ nas Três Culturas

As projeções de Terças de Cinema terão lugar todas as terças-feiras do mês de novembro às 20:30 na sede de Três Culturas. A entrada é gratuita até lotação esgotada. Serão projetados os seguintes filmes:

Terça-feira, 4 de novembro (Fundação Três Culturas, 20:30 horas

Adeus, Gary (Adeus, Gary)

Nassim Amaouche (França, 2009, 75 minutos)

Em colaboração com o Institut Français

Logo Instituto francés

Sinopse

Numa cidade industrial onde as fábricas encerraram há muito tempo, alguns habitantes resistem apesar da solidão e do vazio das ruas. Alguns poucos, inclusive, continuam a ir diariamente para as fábricas onde um dia trabalharam, tal como faz Francis. O filho da vizinha, que acredita que o seu pai é Gary Cooper, espera-o todos os dias nesta terra de ninguém contemporânea, semelhante a um cenário de Western.

– Grande Prémio da Semana da Crítica no Festival de Cannes (2009).

– Nomeada para Melhor Filme no Dubai International Film Festival (2009).

O realizador e argumentista franco-jordano Nassim Amaouche (1977) estudou Sociologia na Universidade de Paris e Cinema no Institut International de l’Image et du Son. Após ganhar o Grande Prémio da Semana da Crítica do Festival de Cannes com a sua primeira longa-metragem, Adeus, Gary, Amaouche realizou o documentário Mawem Hisad (Albums de Família), nomeado para Melhor Documental no Dubai International Film Festival de 2012. A sua próxima longa-metragem, Dos Apaches, estreará em França em 2015.

 

Terça-feira, 11 de novembro (Fundação Três Culturas, 20:30 horas

Omar

Hany Abu-Assad (Palestina, 2013, 96 minutos)

Sinopse

Omar é um padeiro palestino para o qual saltar o muro de separação para poder visitar a namorada já se tornou rotineiro. Todas as noites arrisca a vida perante os soldados israelitas até que, juntamente com dois amigos de infância, é detido e acusado do assassínio de um militar. Coagido a tornar-se informador, inicia um jogo perigoso cujo desfecho é incerto: trairá o seu povo ou o agente que o controla?

– Prémio do Júri na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes (2013).

– Nomeada para Melhor Filme Estrangeiro (Palestina) nos Óscares (2014).

– Melhor Filme e Melhor Realizador no Dubai International Film Festival.

– Vencedora do Norwegian Peace Film Award, Festival Internacional de Cinema de Tromsø (2014).

A filmografia que Hany Abu-Assad (1961) tem centrado na Palestina, com títulos como Omar (2013), Paraíso Agora (2005) e O casamento da Rana (2002), tem conseguido interessar tanto o público em geral como a crítica, recebendo galardões de prestígio internacional como o Prémio do Júri no Festival de Cannes por Omar ou o Globo de Ouro por Paraíso Agora. Em 2014, a Academy of Motion Pictures convidou Abu-Assad, um palestiniano nascido em Nazaré (Israel) e emigrado para a Noruega, para ser um dos seus membros.    

 

Terça-feira, 18 de novembro (Fundação Três Culturas, 20h30

Os Cavalos de Deus (Os cavalos de Deus)

Nabil Ayouch (Marrocos, 2012, 113 minutos)

Sinopse

Interpretação livre dos atentados terroristas de Casablanca de 2003.

O pequeno Yachine vive com a família em Sidi Mumen, um bairro de lata de Casablanca. Com um marido depressivo e quatro filhos para sustentar, a mãe faz o que pode para desenrascar a família. Quando o Hamid (irmão mais velho de Yachine e líder do bairro) sai da prisão convertido à causa do islamismo radical, convence o miúdo e os amigos a juntarem-se. Depois de serem treinados física, espiritual e mentalmente, um dia comunicam-lhes que são os escolhidos para se tornarem mártires...

– Galardoada com a Espiga de Ouro da Seminci de Valladolid (2012).

– Nomeada na seção Um Certo Olhar e galardoada com o prémio François Chalais no Festival Internacional de Cannes (2012).

– Premiada com a Golden Space Needle de Melhor Realizador no Festival Internacional de Cinema de Seattle (2013).

– Seleção oficial de Marrocos para os Prémios Óscar (2013).

– Prémio de Melhor Filme Estrangeiro em Língua Francesa nos Prémios Lumière de França (2014).

 De pais originários do Norte de África, o realizador, produtor e argumentista Nabil Ayouch nasceu em Paris em 1969 e vive atualmente em Casablanca. Entre os seus filmes mais famosos encontram-se Está escrito (1997) e Ali Zaoua, príncipe de Casablanca (2000), ambas representantes de Marrocos nos Prémios Óscar.

 

Terça-feira, 25 de novembro (Fundação Três Culturas, 20:30 horas

O homem que vendeu o mundo (O homem que vendeu o mundo)

Swel e Imad Noury (Marrocos, 2009, 108 minutos)

Sinopse

Baseado num conto de Fiódor Dostoiévski (Um coração fraco, de 1847), a segunda longa-metragem dos irmãos Noury narra um triângulo amoroso num futuro próximo num mundo em guerra. Ney e X (que partilham quase algo mais do que a intimidade de dois irmãos) apaixonam-se pela mesma mulher, Lili, e o seu pequeno universo privado será abalado ao ponto da loucura.

Filhos do cineasta marroquino Hakim Noury e de Pilar Cazorla, a produtora de origem andaluza que produziu As Portas do Céu, Swel (1978) e Imad (1983) Noury nasceram em Casablanca. O Swel estudou Ciências Económicas numa universidade de Paris ao mesmo tempo que frequentava aulas de Civilização Asiática. Quando o seu irmão se graduou no ensino secundário, ambos tiraram estudos de Cinema numa escola de Madrid. Alimentando-se de filmes de realizadores como Soderbergh, Michael Mann, Wong Kar Waï, Takeshi Kitano ou os irmãos Coen, desenvolvem um universo cinematográfico bastante sombrio. As Portas do Céu foi apresentada na secção Panorama do Festival de Berlim 2006.

– Prémio de melhor ator e nomeada para melhor filme, Dubai International Film Festival 2009.

 

Filmes em colaboração com o Festival de Cinema Europeu de Sevilha

Feijão Sangrento

Narimane Mari (França, 2013, 84 minutos)

Versão original em árabe e francês, legendada em espanhol e inglês.

11 de novembro. 20:00 horas. Cinema Nervión Sala 4, com a presença da realizadora

12 de novembro. 17:00 horas. Cinema Nervión Sala 4, com a presença da realizadora

Sinopse

Um ritmo contagiante infeta Feijão Sangrento, um ar de magia negra, entre o sonho e o pesadelo. Um grupo de crianças toma banho numa praia, até que o conflito começa: trata-se da Guerra de Independência da Argélia, reinterpretada inteiramente por crianças dos seis aos catorze anos numa viagem surreal em que os adultos representam o poder colonial opressor. Watkins e Vigo dão as mãos num filme que conjuga onirismo e gesto revolucionário. Falso documentário arrebatado, documental da sua própria rodagem, em que o rapto noturno de um soldado se transforma em festa rave graças ao cinema (e à música dos Zombie Zombie) enquanto se questiona o relato da história.

 

Água Prateada, Autorretrato da Síria        

Ossama Mohammed e Wiam Simav Bedirxan (França/Síria, 2014, 92 minutos)

V.O. em árabe e francês com legendas em espanhol e inglês.

8 de novembro. 22:15 horas. Cinema Nervión Sala 4, com a presença do realizador

9 de novembro. 20:00 horas. Cinema Nervión, Sala 8

Alerta: este filme pode ferir a sensibilidade do espectador. E não apenas pelas imagens terríveis, que os meios de comunicação não se atreveram a mostrar, da guerra civil na Síria. Mas também pelos sentimentos ambivalentes perante o horror e a impotência da distância que este filme transuda. Secção Oficial em Cannes, construído a partir das filmagens que 1.001 sírios fizeram com telemóveis e câmaras, espalhadas pela internet, e da correspondência do realizador, no exílio em Paris, com a jovem cineasta Simav (água prateada em curdo), radicada em Homs. A Xerazade dos 1.001 retratos lancinantes que compõem este doloroso, mas necessário, autorretrato da Síria.

A Educadora de Infância

Nadav Lapid (Israel/França, 2014, 120 minutos)

9 de novembro. 18:30 horas. Teatro Lope de Vega, com a presença do realizador.

10 de novembro. 19:45 horas. Cinema Nervión Sala 2, com a presença do realizador

Sinopse

Colocando em cima da mesa com naturalidade alguns assuntos bicudos que revelam os valores contraditórios desta sociedade, A Educadora de Infância conta a história de Nira, uma educadora de infância que desenvolve uma espécie de obsessão por um dos seus alunos. Mas não pelos motivos que se pensam à partida, mas sim porque Yoav, com apenas cinco anos, é um génio da poesia. Um talento que se perderá irremediavelmente na prosa vulgar do mundo que o rodeia: o pai, um homem de negócios, a mãe ausente e a ama exploradora. No entanto, para preservar e fazer crescer este talento, terá de empreender ações questionáveis que a levarão a um ponto sem retorno.